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domingo, 20 de janeiro de 2013

Calafate

Nau trôpega de mar e rio
submersa às ancoras, palavra, porto vazio
que acha, ágata de agora e palo seco, graveto
obsecado em cair como pêndulo ao chão.

Soa agora como grito no submisso mundo, veto,
ondas de Alentejo, onde vejo – são -
 os brejos trigais
dessa minha cobiça de alcançar além.

Tua boca, tua sílaba mordaz, teu escudo
de sobretudo cavando versos
na moringa de água, benta água que verte virgem
da terra em cio.

Quebra em mim um coração,
único, silente, como forma de alcançar o brio
que o céu vestido de arrebol
arremessou contra minha pele.

Hoje, seco o vento com a trombeta que ressoa
rude, como pedra que deixou a delicadeza
esfarelada em poeira, amiúde, pétala e madeira
espelhando na tarde o ocre de não se afundar

como noite que subestima, como voz que não se cala,
como dia que não revolta,
a dor, o ópio, o calo, a vertigem
dos pés sem direção seguindo nus pela areia...

Um comentário:

Relicário disse...

Márcio,

Feliz aniversário.
Felicidades sempre.

Abraço,
Sam.

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