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domingo, 17 de novembro de 2013

Desinfância

Como dói o tempo em mim,
dói com sua cara de lata,
com seus dentes de cerâmica
roendo meu esqueleto
e deitando minha carne fora.

Dói ver fotografias
e buscar nelas algum
brinquedo ao chão,
esquecido, guardando uma
infância onde hoje
pesco poesia.

O tempo de hoje
esquece as pessoas,
esquece-as guardadas na
busca de coisas úteis.

Espio da janela o silêncio
aprisionado na fadiga do povo
e vejo sapos pulando
entre pernas, grilos
confundindo as buzinas.

Nas mãos do menino
cumprindo sentença
nas grades de casa,
há lápis de cor, folha de papel
e um horizonte espichando
seu olhar para a beleza de ontem.

2 comentários:

Quintal de afetos disse...

Essa "desinfância", desconfio que seja uma ponte arrebentada, desencontrada no meio de um caos, de um vão sem eira, nem beira, fazendo morada que não se despede nem despe da nossa vida, um punhadinho dessa lembrança que insistiu em crescer, sem adultecer.

Que belo.
Beijo na alma.

Samara Bassi

Sentimentalidades-Todas disse...

Não sei se foi uma sms no meio da tarde, mas fui arrebatada pela saudade de um tempo onde eu me lia mais. te lia também.
E nessa tarde de memórias, sua "desinfância" fez mais sentido.
Abraçosssss apertados

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