Feed

Assine o Feed e receba os artigos por email

domingo, 28 de junho de 2009

Infinito

Não se submete à razão alguma essa súbita inércia de estar aqui,
Febril, intranqüilo, bebendo goles secos de cada dia.
Ontem, eu era uma lápide de hoje, um estojo
Guardando uma maquiagem transparente para sussurrar o futuro.
Hoje, sou ébrio vestindo a solidez mesquinha de um sóbrio pálido
Que caminha vestindo seus passos de sombras que ainda não se propagaram...
Nesse vértice irremediável, soluço quase um segundo de paz,
Pois de algum lado vem uma parte de mim,
Vem correndo, vem a passos curtos, vem surrupiando
A minha percepção que tenho de alguns voláteis espaços
Que se desenham em cada camada de sonho, cristal.
Cada bolha de sabão é mais forte que um universo inteiro,
Cada partícula segura uma força extrema que vem de dentro para fora
E de fora para dentro: nisso se resume toda uma força voraz
Que está dentro das capacidades humanas...
O mais frágil tornando-se o mais forte, apenas um paradoxo,
Ao que eu saboreio mais o que está fora de mim, do que o que está dentro.
Não há nada mais importante ou menos importante,
Tudo é uma mesma massa uniforme, uma mistura de sorrir e chorar,
De cantar e ouvir, de abraçar e permanecer quieto n`algum lugar,
Solidão do infinito, escuro da alma, prisão e liberdade,
Pensar e ruminar pensamentos, abstrair a ilusão de ser gente.
Dizemos adeus quase sempre desejando que não seja adeus,
E sim, volta. No fim, tudo volta, tudo vai, tudo fica, inesperadamente...

Arquivo do blog