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quarta-feira, 28 de maio de 2008

O que vale voar?

O que vale?

Sair de mim para ser feliz
Encontrar no berço do acaso
Um resvalo no encanto de um triz
E navegar em meu caminho raso

O que vale viver?

As escadas, as pedras, as alavancas
Pujanças do bem ou do mal
Que jazem em meu corpo em pelancas
Tolhendo meu lado natural

O que vale viver nessa vida?

Uma mentira que não acaba:
as escolhas não são como folhas:
caem no chão, secas, fenecendo a cor tão esperança
cobrindo os olhos da criança de pura imaginação.

O que vale viver sem razão?

As andorinhas nos visitam em cada verão
E os pardais continuam gorjeando eternamente em nossos telhados
Sem ter fuga da estação, sem ter medo da prisão,
Sem aquecer o coração com novas histórias,
Sem perguntar: por que nós também não voamos?

O que vale voar, então?

Vale escolher os rumos e os ventos,
Escolher ter morada ou não precisar dela.
Vale realmente ser dono da verdade mais inerente de ser
Com os caprichos ou desapegos
Sem precisar de torres e castelos
Para fazer o nosso ninho.

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