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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ensaio sobre o reverso

foi-se o tempo do colibri
foi-se a água em corredeira
e agora ali estende um braço,
estende uma mão em acolhida
preparando um sorriso com uma anágua encolhida,
dobrando sobre os joelhos,
quedando um silêncio, um bocejo de estampado de tarde.
foi-se a esperança onde se reconhece parede,
onde pedra é companhia, cimento cama aconchego,
um balde, um debalde sem rima, essa besteira
de aliteração sem assonância pelo que foi esquecido
ali no chão, um pirão gelado, tigela
que saciou o cansaço, que molhou o medo e a solidão.
foi-se assim, cumeeira do fim que dilatou em abandono...
caminho que leva ao óbito do nada
madrugada afora, indo embora, sarjeta devaneada
e a fé imolada, fé cega, faca amolada, corte e sangue,
vermelho voraz dessa cegueira, dessa cegueira, dessa cegueira...
ensaio sobre o reverso, papel seco, papelão,
um chão em desmedida, um pão, dureza,
clarividência dessa negligência, pendendo os olhos,
pendendo as mãos, ali, chão, chão...

11 comentários:

Vivian disse...

...chão, chão, chão.
este que nos dá sustentação
para o impulso a continuar
o caminho.

boa noite, menino das letras.

bjus

Mai disse...

Sabes o que vi?

Um poeta dentro de um corpo frágil e combalido deitado sobre papelão e duro chão.
Mas, estranhamente senti força e firmeza em ser uma fala e uma palavra de algo já passado...
Muito bom isto que senti.
Uma cena triste de um rascunho que ficou para trás.

beijos.
Fica bem.

Essa série está perfeita.

Sam disse...

Fez me sentir deitada ao chão sob o manto negro da noite e contando estrelas, brincando de me orientar com elas.

Linda poesia.

Beijos Meus

Dauri Batisti disse...

Eu só saberia dizer: pena que se foi o tempo do colibri, pena que só restou o chão.

Um abraço.

Tata disse...

Não fique só com o chão, crie asas e voe, voe alto....quando tudo o fizer olhar para baixo, resista, olhe para cima, que verá um colibri novamente...

bjinhos

Flávia disse...

Chão me lembra caminhada, sabe? Sempre. Mesmo com bolhas nos pés, é pra frente que se anda.

E ah, tem chão pra andar nessa vida nossa de cada dia...

Beijo, moço :)

Cris Animal disse...

Márcio bateu a saudade de novo do meu mato.....rs
Caminho do rio, chão de pedras, chão de mato, chão de orvalho na manhã...chão de histórias que deixo ali, chão de vida!
Amei ler isso...alma leve....rs
beijão
.............Cris Animal

Writer disse...

OLÁ, MÁRCIO,BELÍSSIMO SEU POEMA, PARABÉNS MESMO!

COMO SEMPRE, DEMONSTRANDO SUA SENSIBILIDADE LITERÁRIA, COM MUITA INTELIGÊNCIA !

Beijos,amigo,

Juliana S. Valis

Sonia Schmorantz disse...

A palavra mágica
dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

Carlos Drummond

Lindo domingo!
abraços

Anônimo disse...

isso foi a descrição de uma noite com insonia!
pura insonia e muitos pensamentos....

freefun0616 disse...

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