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sábado, 26 de junho de 2010

Do abismo de ser

Sim. Sou um abismo
afundado e profundo
no raso de uma xícara
de café.
Sou, de antemão,
o livro empobrecido
regado de rascunho e pó,
que as esquinas,
que as ruas,
as calçadas nuas
tão livres e cheias de vícios
encheram-me
de palavras empoeiradas,
de olhos esmerados
na miopia mais selvagem
que cavalga os homens
e é estribo e nó.
Sim. Sou um abismo
e arrisco-me nesse cúmulo
de ser desatado e só
como uma avenida
cheia de desespero,
cheia de sina
de chegada e ida.

3 comentários:

Sentimentalidades-Todas disse...

Gosto quando retratas a solidão em meio a profusão de um centro urbano (e que centro é o seu!!!).
Imagino a necessidade de espaço para apenas "ser" se repleicando pela multidão...

Juliana. disse...

Um abismo que nos atinge nas diversas situações, um abismo que só transpõe quem tem coragem de lutar,coragem de ressurgir, de vencer sentimentos! Que cada um seja mais do que uma avenida deserta ou um livro empoeirado, sim uma constante transformação ao melhor!
Um abraço
Ju

Ju Hess Moya disse...

Que o livro empoeirado consiga despertar o interesse da leitura por alguem disposto a analisar a essencia e nao apenas a poeira que se acumula.

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