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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Eu profundo?

Eu tenho uma mania de ser profundo. Uma amiga me disse que é porque sou poeta. Às vezes, tento dissimuladamente, mudar um pouco o meu jeito de escrever. Aí começo brincando com as palavras, despejando-as pelo papel sem nenhuma intenção em falar nada em especial. Nada de falar de amor, nada de falar da nossa reles condição de ser, de agir e interagir no mundo. Daí, quando vejo no final, ta lá um poema um tanto intenso pelo meu gosto. Minha amiga me diz: “ai, lindo (ela sempre me chama de lindo, não que eu seja, mas é uma forma carinhosa de nos tratarmos. Eu também a chamo de linda, nesse caso é verdade), você é assim e pronto”. Eu fico parado com o olhar distante penetrando para além da pintura das paredes. Um monte de coisas se passa pela minha cabeça. Nessa hora vem uma crise de identidade emocional. Sou profundo ou sou apenas um reles mudo que não sabe se o que eu tento dizer é o que sinto? Fico perdido, na verdade, fico iludido comigo mesmo. Pois sinto um monte de sensações. Meu estado de espírito é sempre extravagante. De vez em quando sou um menino que sorri timidamente para a vida como uma folhinha amarela que cai depois do soprar do vento. Mas também sei escancarar uma gargalhada escandalosamente quando assisto a alguma cena de comédia do dia-a-dia. Na maioria das vezes sou mesmo é calado e contemplativo. Eu juro que não desejo ser tão profundo, mas no fundo acabo sendo. Por isso não arquiteto nenhum poema, por isso não traço nenhum roteiro para entrar em cena como algum personagem que eu mesmo crio.

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