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quarta-feira, 14 de julho de 2010

olhar de porcelana

verdade, absolutamente
mentira, meticulosamente
ninguém sente esses cubos secos
gelo derretendo os olhos úmidos
lágrimas incandescentes
a boca almeja o grito

meu corpo, teu corpo
veste despida, rua incomodando
o cômodo estreito da minha vida parca

ah, saliva e lábio ávidos!
minha sede abre estrias pela calçada,
desenhar o objeto traçado em rimas,
verbos insurgentes...

espero ébrio e vinho,
uma taça de lucidez e destino,
meu calabouço menino
esquecer meu tempo de ninho

quando a pétala era orvalho,
quando era branca e aurora,
me esquecia...
quando era meio dia, me combatia,
agora, vespertina e vazia,
ela me diz que fica
e seu olhar de porcelana
foi aquela semana
que não terminou jamais...

2 comentários:

Dauri Batisti disse...

VOu por aqui, por onde se tece palavras com jeitos bonitos e sensibilidade.

Um abraço

Sam disse...

Mas eu gostei mesmo, foi dessa inversão de palavras: "espero ébrio e vinho,
uma taça de lucidez e destino"

Caiu bem em dias assim, que se pede ninho!

Beijo meu!

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