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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Evanescência

Da noite ausente,
trouxe comigo a bandeira do pó que eu não fui:
sestro imaginário de coibir minhas exatidões,
eu, torpe e fantasia, gauche sem nome,
infame que adestra o bater de asas
desse mundo anil.
Ganho canções – disse-me toda voz
continente ao que calo – venço,
pois, do infortúnio do saber, sei apenas o que minto
descaradamente, sou ébano e entorpecimento...
Diriam que sublimo do tanger do dia
o absoluto do absurdo, surto imperfeito de me ser.
Ora, não desejo o póstumo do riso,
nem o subterfúgio do abrigo que colho.
Permaneço atento às oscilações
de cada face que contemplo às chagas do vento.
Esse guizo incoerente latejando a têmpora
do meu viver, é cada detalhe que busco,
é cada entalhe fosco, brusco germinar das horas,
que semeio com esses olhos vorazes
a me espreitar a alma mais antiga,
a me fazer fuligem dessa pobre carne que fenece
ao tom mágico desse esvanecer como fumaça ao léu...

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