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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Idiossincrasias (alguma parte)

Sofres, como eu, de um reumatismo cirúrgico causado por uma platina fria que vai corroendo o nervo pela gelidez em açoitamento à carne que teima em se manter morna.
Sofres das dores inversas ao paralelismo, mas duais, antagônicas
entre uma condição idiossincrásica, indissociável que nos acomete nesses tempos modernos. Assim, tornamo-nos eterno humem-mulher-besouro Kafkaniano metamorfoseando a vida para além fronteira das dores observadas em Sartre. Chegamos a um estágio onde o caminho percorrido não oferece a alternativa da volta. Não podemos mais retroceder nem seguir adiante. Um dilema paradoxal isso. Mas é a verdade. Talvez Rimbaud condenasse Verlaine pelo amor que sua liberdade despertasse em si. Talvez o século da luz obscurecesse, como reflexo dos devaneios, do êxtase, da virtude pairada naqueles nobres, e fizesse pouso nesses lobisomens pós-modernos como nós. Mas não podemos retroceder, como assegurei antes, sem nenhum mérito dessa afirmação, mas propositadamente, com o mérito de sentir dilacerando minha carne, como frieira que acomete os dedos dos pés. Mas suspeito de uma causa: toda a glória alcançada com a ciência, todas as descobertas, simplesmente não nos fez melhores. Simplesmente deparamo-nos diante da nossa condição instintiva, animalesca, perda de humanidade. Pessimismo de Schopenhauer pousando em mim? Não creio, pois não sou nem pessimista nem otimista. Sou apenas projeto de poeta. Sigamos, então, assim: poetizando a vida sem limites inspirando sempre por quaisquer motivos e coisas.

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