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sábado, 5 de dezembro de 2009

Telhado

Onde estão tuas grades,
tua noite de sede insone?
O teu olhar de fogo crispou cedo
e roeu as armadilhas das manhãs
e guardou nos telhados o gorjeio
pardo das cicatrizes noturnas,
onde, turva e amiúde,
repousou teus suores frios,
esta sentença, esta sentença...
Jogas o anzol – pescas agora –
a cinza e o vento, pescas lá fora,
o breu e o lamento
de um dia sem sol e cimento,
aço e esqueleto, aço e tímpano,
voz gritante, teus braços abertos
colhendo o ar, colhendo as nuvens,
colhendo a garoa morna de sonhos...
Salve a dança, o tiroteio das almas perdidas,
salve a fome e o desperdício,
o fim, o fim, salve o início...
De castelo em castelo edificamos
as ruínas nossas de cada dia,
agora é apagar a fogueira,
cessar o calor das multidões
e esperar o vazio tomar
o rumo certo dessa fuga dos homens,
dessa bolha cega que reflete,
apenas reflete o tudo e o nada...
...ontem eu era criança,
agora, nuvem dissipada...

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