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segunda-feira, 8 de março de 2010

Expresso 1857

Hoje eu não tenho palavras,
não tenho mensagens, não tenho ilusão.
Tenho uma voz calada
na dura labuta querendo se revelar.
Ontem eu fui um córrego
desbravando montanha acima,
hoje sou céu, um oceano, rio,
um riso em mim que inunda.
Pela manhã eu tinha as mãos de pedra
e na hora do meio dia eu era o pão,
a sede, a faca, a fome e a rede.
Mas Maria foi lavadeira,
Aninha foi aprendiz,
Cecília foi parideira
e Júlia foi meretriz.
E agora, por apenas um trís,
todas são o tempo mais derradeiro,
o verso ainda primeiro,
a dança no nosso terreiro,
o vulto, o vento, fértil sentimento,
a terra, o cimento, o chão...
Ontem eu fui atriz,
hoje eu sou um giz desenhando
meu destino, desatino que hei de ser sempre,
pois eu era asa quebrada,
agora sou voo que avista longe,
longe, longe, horizonte de ser mulher.

5 comentários:

Sam disse...

Quando não se tem mais "nada" é quando realmente se tem tudo.

Olha-se e enxerga
E vê
E toca...

porque as futilidades se foram no vento e o que fica e se torna aparentemente vazio e claro, é o que existe de mais real e verdadeiro... e leal.

Beijo meu!

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

Às vezes é assim palavra seca sem nada querer dizer

Ana Lúcia Porto disse...

Oi Márcio,

Essa poesia me causa a impressão de homenagem ao Dia das Mulheres... Poderia ser... É linda...!! É rica...!!

Beijos,
Ana Lúcia.

Ana Lúcia Porto disse...

Oi Márcio,

Acredite, eu sequer me lembrava a origem desta data, mesmo estando incluída nela... Há muitos e muitos anos atrás, lembro de que havia perguntado mas o tempo e os interesses mexaram em meus focos, daí, nem a minha memória se importou em manter registrada...

Beijos, obrigada pelo esclarecimento. Gostei muito.
E de sua visita, também.
Ana Lúcia.

Mai disse...

Há o vazio de palavras que nada dizem e há o silêncio repleto de sentido.
Tua palavra é pura prenhez de signos, de poesia.
abraços meu amigo.
bom final de semana.

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