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domingo, 21 de março de 2010

vida engendrada

se engendra a vida

tenra vida que em nós engendra

o tempo o sol mais verdadeiro

a sombra aberta

a pele crua

a noite densa

o olhar da lua

se prontifica

em nós o berço

o arco enverga

a flecha aponta

surdo é o mundo

que não ouve

os carnavais

a terra úmida

os olhos secos

a boca ávida

a fome descendo

os degraus

da incerteza

procurando abrigo

para se esconder

do oco

o toco espetando

a fé

a fé desconfiando

da descrença

a bênção vence

o verbo abutre

ótimo estado

obstinado ateu

vencendo o ferro

ferrugem carcomida

essa ida

desenfreada vida

que engendra a terra

o ventre livre

hélice e a faca cega

haste decepando

em despedida

essa desmedida ira

vinha do absurdo

cálice de vento

se derramando sobre

o meu ser

se engendra a vida

cólica em cólera

desembuchando

a metade ao quadrado

dessa vontade múltipla

de viver

4 comentários:

Sam disse...

Adorei! E digo mais, tem ritmo!

Beijo meu!

Mai disse...

Pareceu-me um filme e eu gostei por demais de ter inalado este poema.
e te agradeço
beijos, poeta

Dauri Batisti disse...

Venho aqui e leio teu poema, vou seguindo o rítmo, saboreando as palavras, esta outra ordem de pensar.

Abraço

Ana Lúcia Porto disse...

Márcio,

Dessa vez, eu estou passando por aqui, tão somente para lhe dizer que eu ficaria muito feliz se você fosse comer uma fatia de bolo, comigo, em meu blog...

Estou lhe aguardando.

Beijos,
Ana Lúcia.

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