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terça-feira, 6 de abril de 2010

obliquos da noite

preciso estimular minha íris
a não deixar o opaco da vida
tomar conta dos meus olhos
pelo hálito da noite
sem a primazia benfazeja das horas,
sem a proeminência do sereno morno
visitando lentamente a vidraça
do meu quarto, sem a obliqüidade
da pressa que já não me faz mais cócegas,
eu perambulo tácito com meu pensamento
loquaz de dizer apenas com meus lábios mudos,
serrados e mordiscantes ora verbo rarefeito
em minha mania serena de assumir
meus riscos de predicados,
ora meu pressuposto medo do escuro,
ora minha labuta, minha sina,
ora minha verdade assassina de segredos,
ora os ventos do norte
trazendo sorte
para minha vida sudeste de homem urbano

4 comentários:

Sam disse...

E que as janelas dos teus olhos possuam vidraças translúcidas para que quempassa do lado de fora, possa encontrar respostas e verdade quando olhar para ti.

Que a transparência do seu coração seja um menino debruçado na janela... ora observando a chuva cair, ora contando as estrelas querendo alcança-las com as mãos.

E ans noites escuras, oblíquoas... haja sempre uma lamparina, um sol nascente a iluminar tua íris, fazendo um arco-íris de segredos desvandados... sem deixar de ser uma sentinela pros teus dias.

Beijo meu.

Mai disse...

Um olhar cristalino e um sopro de Deus fez-se poesia.
Tão bom quando estás assim - fértil - tecendo palavras.
beijos, Márcio.

Lílian Alcântara disse...

não sei se este tipo de pergunta é devida: qual sua idade?
Enfim... cada vez que leio aqui tenho uma convulsão poética e descubro que preciso aprender muito antes de tentar os versos...

Sylvia Araujo disse...

A vida do homem urbano é quase sempre opaca, leitosa, descolorida. Essa rotina dura que entristece os olhos, enrijece os músculos. A magia é conseguir entocar pássaros dentro da íris. E vez ou outra incitá-los a voar.

Lindo, Márcio.

Beijomeu

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