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sábado, 17 de abril de 2010

A rosa inocente

Sai pela rua vadia todas as vaidades,
e o perfume barato das prostitutas,
e o cheiro de tabaco impregnando de gente
as laterais dessa cidade descomposta...
Nesses botecos, é um viço de manifesto,
calar as injúrias com um gole de cachaça,
um trago no cigarro, desenferrujar o carro
do velho motor a diesel,
é tanta perna pelada, desavergonhada inocência
enchendo de libido
as barbas ainda pretas, outras grisalhas,
alguns fiapos que acompanham os olhos,
a boca cheia de água, o corpo cheio de vício...

6 comentários:

Beatriz disse...

o vício é tristeza exalada.

Sentimentalidades-Todas disse...

ah a boemia, os exageros, e o lado b da cidade... tudo me parece potencialmente bonito.
E na falta de algo melhor, é dificil não assinar manifestos com cachaça e cigarros...

Mai disse...

Eu gosto desse tom em tua poética, Márcio. E sempre que escreves sobre as ruas e as calçadas ele retorna. É o teu olhar que captura cada minúsculo detalhe.
Mas os suores e os cheiros que despertam a libido - ah! isso é um vício dos bons.
Este tema talvez fosse explorado por Bukowski e tu fazes a poesia de uma rosa inocente. Olhares e olhares.

Beijos, amigo poeta.
saudades de ti

Dauri Batisti disse...

Há algo diferente aqui, mais do que o jogo com as palavras e com a sonoridade delas, como em outros seus poemas, há aqui algo mais que me agrada, uma cena.

Um abraço

Ana Lúcia Porto disse...

Oi Márcio,

Um poema forte. De um impacto realista.

Beijos e apareça para um café,

Ana Lúcia Porto disse...

Oi Márcio,

Que bom que foi tomar um café comigo... Gosto de sua companhia. Você é um daqueles amigos valiosos...

Beijos e bom final de semana, espero que possa descansar um pouco...

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