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domingo, 8 de agosto de 2010

Em branco e preto

Pelas arestas do meu dia
eu vejo um sol, nuvem estilhaçada,
e a poeira do sonho nessa arritmia:
bloco de pedra, passos na calçada
empurrando a negligência
num carrossel de vida parca.

Partem os homens,
choram as mulheres,
um portão fechado que consome
e no cerco que me fere
é a paliçada dos que perdem
sem ter chance de usar um nome.

Em branco e preto
é o verbo azedo, a vida morna
estancada como cinzas num cinzeiro,
dispersada em baforadas
impregnando de fuligem os meus pulmões
que pinta a textura do meu dia
com a paisagem desses corpos ébrios.

Ela chegou com seu cedro de arame
desembainhou a tua espada de navalha
e amarrou as suas paredes com fiapos...
Se cobre agora com esse teto de papelão
porque a sua solidão é uma ausência
silenciada nesse pedaço frio de chão...

3 comentários:

Sam disse...

Por todos os lados, em todas as partes. Esquinas, vielas, alamedas, viadutos, praças... protagonistas dos centros da cidade? Atores principais que nada possuem de fingimento, nem inventam uma história? Seja lá o nome, o rótulo que recebam... prefiro continuar que mesmo tendo o teto, em algumas noites , além do papelão, mas repleto de estrelas, cultivam sonhos-flores que ornamentam seus arames farpados.

Texto pra refletir, gostei!
Beijo meu!

Vivian disse...

...e quantas lições estes
ilustres desconhecidos nos
arrancam em sentidas
reflexões!!!

o doído de tudo isso é
que esta'escola' bem pouco
tem nos ensinado, ou então
nos tornamos apenas pacatos
observadores de uma eterna realidade?

um beijo, querido!

Mai disse...

Em branco e preto, e a cada dia, há vidas se acabando como uma pedra de crack.

Tu sabes quanto eu gosto quando poemas as ruas.

beijos, meu amigo querido.
A poesia que deixaste lá no 'inspirar', é jóia rara, é um tesouro, poeta.

Beijos, Márcio,
fica bem.

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