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domingo, 2 de agosto de 2009

Paisagem morta

Tempo, tempo velho e rotineiro,
tempo parado que me faz cansado,
que me faz lento e passageiro
sem movimento de minhas horas.
Esse tempo é paisagem morta
onde se move apenas o vento
e meus pés buscando asas para voar.
Esse tempo é um braseiro aberto,
é uma âncora esquecida,
um galho quebrado que se desprendeu
de sua árvore frondosa
e suga, agora, parasita e inerte,
meu corpo e meu ar.
Esse tempo é uma ferrugem
carcomendo lembranças de amanhã,
é tempestade sem raios,
sem trovões, derramando apenas
uma chuva de lágrimas
e se dissipando, pouco a pouco,
numa nuvem de sonho.
Esse tempo é um medo medonho
e se faz existir apenas
numa breve ilusão.
Tempo, tempo estranho,
tempo mal trato,
que me faz trapo
nessa sua teimosia tão veloz,
tão devagar de me correr
em pedra e areia,
em pele e osso, sangue, boca
e coração.
Esse tempo é uma chaminé
aberta expelindo
a sombra de vida
que um dia existira
numa árvore,
agora, desse meu corpo,
em forma de fumaça.

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