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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Empório

Cumpro primeiro em desviar-me dos desvios,
mesura minha de caminhar torto...
Uma porta não importa para as relações
de abrir e fechar: em sua compostura
irrelevante, comporta apenas o meio de sair e ficar.
Outra vez, outro dia, nasci trovejo
diante do espelho, minha face cheia de espanto
procurando algum ponto, ah, ponto estreito
de onde um dia eu fiquei parado
na atmosfera da minha aurora á espera
do meu destino – um homem cansado me sorriu.
Uma dúzia de palavras apenas, um bocejo,
e um pavio ainda curto se apagando da demora da noite.
Feito um bojo, fica a esperança ainda morna
despertando o dia para mais uma morte...

3 comentários:

Dauri Batisti disse...

"na atmosfera da minha aurora a espera do meu destino – um homem cansado me sorriu". Linda frase.

É, o cansaço pode vir antes, bem antes do entardecer. E se na aurora ele vier o jeito é resgatar as forças com a poesia, por exemplo, ou com música, ou com sonhos, e seguir, mesmo cansado, pelo dia afora, como se casaço nenhum há.

Mai disse...

É um pouso qualquer para um dedo de prosa e um gole de poesia que mate as sedes e as fomes desse cansaço que chega e que vai...
No desviar dos desvios, há desvãos que tentam e que latejam...
Vale poemar, Poeta.
De cá poucas gramas de sua poesia porque ela vale é ouro, viu?
beijos, Poeta.

Beatriz disse...

belo poema. amargamente belo.
beijo poeta

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