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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Olaria

Seus ossos estavam velhos,
manchada de barro estava a pele
de um couro já curtido,
cortiça de sol e vento.
Desce agora a ladeira
com uma vingança de não morrer,
matar a morte com teimosia,
amiúde uma sorte tomada
de espanto e dó – ido como
carro de boi puxado – picando
as juntas das pernas secas.
Carvão e píncaro, selva de sertão,
a olaria molda a alma crua
no selvagem da madrugada sem luar.

3 comentários:

Mai disse...

"matar a morte com teimosia" (Márcio Ahimsa) E ir moldando a vida no viver, Poeta.
Abraço, @migo

Lílian Alcântara disse...

com uma vingança de não morrer,
matar a morte com teimosia,

quase ninguém gosta, mas não vejo nada mais poético que a morte. Não que eu seja uma maníaca, ou serial killer, é que a morte na poesia e no texto são poéticas, não diria o mesmo da vida real mas...

Mai disse...

Violeiros - ver oleiros, moldar o barro e a poesia com as mãos.
beijos, Poeta!

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